Editorial – O Gigante Acordou?

As manifestações do cidadão brasileiro ocorridas em junho deste ano já fazem parte da história contemporânea do nosso país. Até hoje as autoridades e a imprensa tentam entender o quê, o porquê e como aconteceu. Tenho ouvido e visto várias versões, algumas absurdas, outras mais coerentes, no entanto nenhuma que responsabiliza o neoliberalismo. Provavelmente, a grande maioria dos manifestantes não percebe a verdadeira causa das distorções que o revoltam. O neoliberalismo, filho do capitalismo selvagem, criado para justificar a existência do pai, valoriza somente o ter em detrimento do ser e nos leva a acreditar que consumir é ser feliz. Incentiva a disputa e fortalece o individualismo. Minimiza a atuação do estado sem nenhum planejamento, apenas retirando da sua ação aquilo que dá lucro, independente de ser uma função típica de estado. Transforma tudo em um negócio financeiro, em mercadoria. Desta forma, favorece as escolas particulares em detrimento do ensino público, elitiza a educação, tornando a cultura algo inatingível para o povo. E povo inculto e alienado é facilmente manipulado.

“O neoliberalismo

valoriza somente

o ter em detrimento

do ser e nos leva

a acreditar que

consumir é

ser feliz”

Provoca a concentração de renda e suas consequências, incluindo-se aí a violência fora de controle. Incentiva a saúde privada, que só visa lucro, e relega a saúde pública, sem recursos e deteriorada, aos menos favorecidos. Privilegia a terceirização sem limites aplainando o caminho para corrupção, eleva o custo país e assim diminui o potencial de investimento público. Cria os maus governantes que, com os recursos do estado, corrompem parte do Legislativo, do Judiciário e da imprensa, fazendo o que quer e não o que é necessário para a sociedade. Fato ocorrido, por exemplo, no governo Aécio Neves em Minas Gerais. Esse sistema de governo tão perverso, que namorou com o governo Collor, noivou e casou com o governo Fernando Henrique e o governo Lula, continua sendo o maior entrave para o desenvolvimento social do nosso Brasil. Social sim, porque o econômico é consequência.

 

Adolfo Garrido

Presidente da FASDERBRA

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